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Política

Crivella anuncia boicote da Prefeitura do Rio ao jornal O Globo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), afirmou neste domingo (1º) que não irá mais responder a pedidos de informação feitos pelo jornal O Globo.

"O sistema de comunicação da prefeitura me fez um pedido que eu compreendi. Eles estão indignados com O Globo, que não é jornal, não faz mais jornalismo. É um panfleto político, fazendo militância, tentando de todas as formas, através de ameaças e chantagens, que a prefeitura ceda às suas ambições de publicidade", disse Crivella em uma publicação em suas redes sociais.

"Portanto, a partir de agora, a Prefeitura do Rio de Janeiro ignora todos os pedidos vindo deste panfleto político conhecido como O Globo. Todos os demais jornais do país terão nosso prestígio, a resposta, menos O Globo", completou o prefeito.

No vídeo divulgado há ainda uma gravação de Daniel Pereira, chefe de comunicação da Prefeitura do Rio, reiterando a versão de Crivella de que "O Globo não é um jornal, é um panfleto político".

"É isso mesmo? Eu vou continuar parando a equipe toda para trabalhar para O Globo? Em matéria negativa que eles estão cavando para falar mal? Tem alguma coisa errada. Tem alguma coisa errada nisso aqui", questiona Pereira no vídeo. "A partir de hoje, a gente não responde mais O Globo."

As pessoas já sabem muito bem que a atual gestão da Prefeitura do Rio vem sofrendo uma agressiva perseguição por parte de O Globo. O veículo, que se diz “jornal”, é, na verdade, um panfleto político, quando seus interesses comerciais não são atendidos.

Em nota, o jornal O Globo disse lamentar a decisão do prefeito.

"O Globo lamenta a decisão do prefeito Marcelo Crivella de, a partir de agora, ignorar os pedidos de informação feitos pelo jornal. Medida, diga-se, tomada na véspera de o jornal publicar reportagem revelando que o prefeito é alvo de investigação do Ministério Público do Rio. Ao não atender a essas demandas, o prefeito deixa de prestar esclarecimentos não ao jornal, mas à população do Rio de Janeiro, que o elegeu", afirmou.

"O objetivo do Globo ao solicitar esclarecimentos a governos e governantes, quaisquer que sejam, é avaliar informações apuradas sobre a gestão pública e dar espaço ao contraditório, como determinam os princípios editoriais do Grupo Globo. Ao contrário do que sugere o prefeito, o Globo pratica jornalismo e não mistura a produção de conteúdo editorial com atividades publicitárias."

A nota do jornal prossegue: "A despeito de decisão de Crivella, o jornal seguirá solicitando informações e dando espaço à prefeitura antes de publicar reportagens sobre a gestão municipal e suas autoridades —por respeito a nossos leitores, nossos princípios editoriais e ao bom jornalismo".

Nesta segunda-feira (2), Crivella voltou a atacar o jornal carioca. Em um vídeo publicado em redes sociais, o prefeito afirmou que os jornalistas fizeram "papel de canalha" e chamou um deles de "patife" e "sem caráter". Ele também ameaçou processar os repórteres por "infâmia, calúnia e difamação".

“Lamentavelmente, o prefeito age de forma pouco transparente ao vetar que a prefeitura forneça respostas a O Globo. A prefeitura é estrutura pública e, nesta condição, teria o dever de prestar contas para a sociedade. Com a recusa, perde oportunidade de fornecer seu contraponto e oferecer explicações", afirmou o presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Marcelo Rech.

A ação de Crivella ocorre em meio a uma série de ataques e ameaças do presidente Jair Bolsonaro a veículos de imprensa. Ele coleciona episódios, em especial contra a Folha de S.Paulo.

Na semana passada, a Presidência da República excluiu o jornal de uma licitação sem informar o critério técnico que embasou a decisão, e o presidente afirmou que boicota produtos de anunciantes da Folha de S.Paulo.

Em agosto, Bolsonaro ironizou o jornal Valor Econômico após assinar medida provisória que acaba com a obrigatoriedade de empresas publicarem balanços em diários impressos. A TV Globo também foi alvo do presidente, que ameaçou não renovar a concessão da emissora após reportagem que o citou na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.

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