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Economia

Black Friday e China fazem Bolsa brasileira ir na contramão do mundo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira operou na contramão dos principais mercados globais nesta segunda-feira (2), com alta de 0,64%, atingindo 108.927 mil pontos. Investidores se dizem otimistas com as vendas superiores ao esperado na Black Friday e com a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do terceiro trimestre de 2019 na terça (3). Também beneficiou o mercado brasileiro a melhora da indústria chinesa. 

A expansão na atividade industrial da China em novembro também chegou a animar mercados europeus pela manhã, mas com a divulgação, por volta das 12h, da queda na atividade de manufatura dos EUA, os índices tombaram.

A Bolsa de Frankfurt fechou em queda de 2,05%, assim como o índice Euro Stoxx 50, que reúne 50 empresas de 11 países da zona do euro. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,96%, S&P 500, 0,86% e Nasdaq, 1,12%.

Enquanto a indústria chinesa se expandiu inesperadamente em novembro no ritmo mais rápido em quase três anos, a americana teve um desempenho menor que o esperado. 

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit da China subiu a 51,8 em novembro de 51,7 no mês anterior, marcando a expansão mais rápida desde dezembro de 2016, quando ficou em 51,9.

A marca de 50 separa crescimento de contração. Segundo a mediana de 14 economistas consultados pela Bloomberg, a expectativa era de queda para 51,5. 

Apesar do aumento da produção e das novas encomendas na China, a confiança empresarial caiu e as empresas mostraram-se relutantes em reabastecer seus estoques, preocupadas com as incertezas para a demanda e a prolongada guerra comercial com os Estados Unidos. 

No lado dos americanos, a queda na atividade manufatureira, medida pelo Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) caiu de 48,3 em outubro para 48,1 em novembro, contra a expectativa mediana de 49,2 de 61 economistas consultados pela Bloomberg. Em setembro, o ISM teve pior resultado em três anos, em 47,8 pontos. 

Com a piora na economia americana, o dólar perdeu força ante as principais moedas globais. O índice DXY, que mede a força internacional da moeda americana, caiu 0,42% e foi ao menor patamar desde a última terça (19).

O real foi beneficiado pelo movimento e se valorizou. No Brasil, a cotação do dólar caiu 0,540%, a R$ 4,2180. Pela manhã, a moeda subiu aos R$ 4,26 com as possíveis tarifas dos Estados Unidos às importações de aço e alumínio. Nesta segunda-feira (2), o presidente americano Donald Trump disse que iria reestabelecer as taxas de de importação destes produtos, hoje isentos. 

A cotação inverteu o sinal com a venda do Banco Central de US$ 480 milhões à vista, em uma oferta de até 500 milhões. A autoridade monetária também colocou à venda 9.600 contratos de swap cambial reverso, fazendo a troca da liquidez do mercado de derivativos para o mercado à vista.

Em um primeiro momento, o mercado interpretou a declaração de Trump como negativa, por gerar um conflito comercial com o Brasil. Em seguida, a leitura é que há chances de Trump não seguir adiante com as tarifas e, caso siga, o impacto nas grandes siderúrgicas seria pequeno.

"Esses anúncios surpresa geram mais incerteza no mercado. Tensões comerciais são sempre negativas. Como o empresário se prepara e programa a produção se não sabe a quanto vai vender? Isso é ruim para a economia. Qualquer imposto adicional sobre o comércio externo tem uma conotação negativa. Precisamos de informações mais específicas sobre essa tarifa, mas não esperamos grandes impactos financeiros e econômicos", diz Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

As ações de siderúrgicas tiveram fortes altas no pregão. Os papéis preferenciais (preferência na distribuição de dividendos) da Gerdau subiram 2,65%, a R$ 17,45, maior valor desde setembro de 2018. Os ordinários (com direito a voto) tiveram alta de 1%, a R$ 14,44, patamar semelhante a semana passada.

As ações preferenciais da Usiminas subiram 2%, a R$ 8,68. As ordinárias, 1,8%, a R$ 9,46. A CSN (Companhia Siderurgia Nacional) disparou 5,7%, a R$ 13,28. 

Segundo Daniel Sasson, analista de siderurgia do Itaú BBA, a alta é explicada pela melhora no PMI chinês, que indica maior demanda pelas matérias-primas brasileiras.

Ele também aponta que a exportação de aço aos Estados Unidos foi apenas 7% do total exportado pela Gerdau em 2018. No caso da Usiminas, nos primeiros nove meses deste ano, cerca de 8,5% do total exportado foi para os EUA, o que corresponde a apenas 0,9% do total produzido. Para a CSN, as exportações de aço aos americanos são menos de 1,5% do total exportado, equivalente menos de 1% do total produzido.

"Em volume é pouco, em EBITDA (indicador de geração de caixa) é ainda menor. Também em parte porque as exportações têm uma margem de lucro menor que as vendas ao mercado doméstico pelo custo logístico", diz Sasson.

Sasson afirma ainda que as principais siderúrgicas acreditam que a tarifa deva ser implantada, mas não deve ter grande impacto. "O preço para colocar aço e alumínio dentro dos EUA vai aumentar, resta saber quem vai pagar a maior conta. Uma parte do será pago pelos produtores e outra pelos consumidores", diz. 

No caso do alumínio, as exportações pesam mais, cerca de 43% do produzido vai para os Estados Unidos. As principais empesas do setor, no entanto, tem capital fechado.

O Ibovespa também teve um bom desempenho, com alta de 0,64%, a 108.927 pontos. O giro financeiro na média diária para o ano, em R$ 16,937 bilhões.

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